segunda-feira, 14 de maio de 2012

MÃE


Mamãe,
Obrigada pelas fraldas trocadas
Pelas palavras ensinadas
Por todas as noites viradas
E até as broncas dadas.

Mãezinha,
Obrigada por me ensinar
A perdoar
A escutar
A esperar
E o mais importante,
Através do seu exemplo,
A acima de tudo amar.

Mami,
Obrigada pelos limites
Pelas brigas
Por ser minha grande amiga.
Pelas conversas
Pela companhia
Pela preocupação
E pela compreensão.
Pelo maior amor do mundo
Por não me deixar só,
Nem por um segundo.
Pela vida que você me deu
E continua a me dar
Por estar do meu lado
E segurar a minha mão
Como quando me ensinou a andar
Me guiando
Protegendo
E amando
Enquanto o meu caminho eu continuo a traçar.

MÃE, EU TE AMO. FELIZ DIA DAS MÃES PRA MELHOR DO MUNDO.

domingo, 6 de maio de 2012

Adeus

Eu nunca quis casar,
Não foi ideia minha namorar,
Nem atar suas mãos uma na outra.
Não me interessava te fazer de verdade, se você nunca foi.
Nunca quis sobriedade, nem sentido.
Mas, às vezes, precisamos dar um sentido à nossa vida.
Se você pede e alguém se permite ser sua.
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Acho que eu só queria quebrar o silêncio.
Sem nenhuma razão aparente, entendível.
Vai ser sempre impossível
Se o silêncio estiver dentro de você.

Pode ser que eu esteja enganada
Que a sua escolha em calar
Tenha sido calculada
Então, acredito ser pior
Já que nesse presente
O passado não vale de nada.
Se eu larguei minha mágoa
Mesmo que pra ouvir um não
De uma pessoa que me teve na mão
E nem isso fez seu coração
Acelerar
E sua frieza, descontrolar
Comece a se preocupar.
Talvez você tenha perdido
A capacidade de amar.

Ninguém duvida
Que sua vida esteja muito melhor
Mais divertida
Já que não precisa mais se preocupar
Com uma pessoa querida
E ferida
Agora é só você, você e você.
E seus desapegos
Um tapa, um gole, qualquer beijo.
Como sempre devia ser.
Sem ninguém pra cuidar
E ninguém pra olhar
Nos seus olhos
E saber exatamente o que estava sentindo.
Mesmo que por fora,
Você estivesse mentindo.
Pra você,
Pro mundo.
Pra quem só queria te ver sorrindo.

Não me entenda mal,
Não é raiva, é inveja
Da sua indiferença fora do normal
Se um dia eu conseguir ser assim
Vou manter meu coração só pra mim
E quem sabe então,
Não mais me importar com o fim,

Nem com o começo,
Nem com ninguém.

Mas enquanto ainda machuca
Enquanto essa emoção estúpida
Aqui ainda mora,
Por favor, jogue fora
Nossas fotos,
Meus presentes,
Nossa história,
A lembrança dos carinhos,
As noites em que não estávamos verdadeiramente sozinhos.
Nossa cumplicidade.
Porque você
Vai estar sempre fadado,
Preso e acompanhado
Da sua racionalidade.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Passa, tempo

Quando uma criança quebra seu brinquedo
Mesmo que seja o seu favorito
É natural que ela não queira mais com ele brincar
Mesmo tendo sido sua culpa o ocorrido.

Eu fui sua bonequinha preferida.
Te alegrei, acompanhei,
Fui até um tanto querida
Até o dia em que cansou de brincar
E num canto da tua vida resolveu me abandonar.

O brinquedo, você nunca amou
E sua paixão não te segurou
Ao lado desse passatempo quebrado.
Há tantos novinhos no mercado...

Pra que perder tempo
Remendando algo que estragou
Se é tão mais facil seguir em frente
E esquecer que na sua vida ela passou

Larga ali ela,
Que sozinha ela se recupera
Mesmo que demore cem anos
Sua felicidade não merece essa espera

Isso, agora, é um problema só dela.

A criança se esqueceu.
Terá um novo brinquedo seu
E a boneca que, inteira, não serviu
Estragada nem tenta mais
Já que ele não teve a paciência
De continuar a amar
E reensiná-la a andar
Em vez de deixar ela pra tras.

Mas é normal que uma criança não queira brincar outra vez
Do brinquedo com o defeito que você mesmo fez.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Restou de um

Meus olhos são dois, mas três lágrimas escorrem pelo meu rosto. 
Não dá pra sentir se meu coração ainda bate.
Acredito que sim, porque dói.

O silêncio perfura os meus tímpanos e é pior que seus gritos, 
Que antes fossem de raiva. 
O seu acato ao meu "some da minha vida" é tão absoluto, 
Que se sente como a um soco no estômago.
O seu total controle quanto à vontade de ligar, 
a fazer o que sabe que vai magoar, 
a não se importar se você vai me estilhaçar, 
fazem parecer que se eu caísse da janela do nono andar
Você nem iria notar.
Seu desprezo ecoa como uma risada cruel,
como se seus planos fossem pura falta de dó. 
Mesmo que eu esteja indo pra longe e você, pra Floripa só. 

Você me disse um dia que não era aquele que ia sofrer pro mundo.
Que não ia se desesperar se perdesse qualquer mulher, nem por um segundo. 
Eu também não. 
Eu choro pela perda de mim mesma. 
Daquela mulher que eu te entreguei e você largou no chão. 
Das minhas poesias repetitivas, mas tão felizes. 
Da minha vontade de ficar e criar raízes. 
Da sensação de que dá pra completar um vazio que é de outra pessoa 
E de que um babaca, por amor, pode ser uma pessoa boa. 
Choro pelo desespero de não saber 
O que a sua enorme generosidade deixou restar de mim. 
Fim.

Des-amada, desarmada, despedaçada.
Desacreditada.
Do ontem, de hoje e, principalmente,
Do pra sempre.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Perto Distante

Eu nunca escrevi sobre ele.

Talvez, para não torná-lo real,
Já que nunca o pude ter em minhas mãos
Por inteiro, de verdade.
Já que nunca tive a chance de me perder em seus braços
De vê-lo, de olhos fechados
De agarrá-lo pela nuca e tirar seu ar, em qualquer lugar
De me entregar a ele de corpo, e talvez alma
De mostrar pro mundo o sorriso que ele me deu de presente.

Mas seus olhos...
Esses sim foram meus.
Pelo instante em que os surpreendi procurando dentro de mim
Por algo que nem sei o que é, mas que ele encontrou.
Como se toda minha vida tivesse sido ausência
Como se estivesse despida pelos seus encantos
Desarmada, pelo seu perfume.
Por aqueles olhos verdes, tão ingênuos
E que sabiam exatamente o que estavam fazendo.
Que tiraram meu rumo
E me colocaram no caminho certo.
Que enxergaram a mulher, dentro da amiga.
Que me fazem esperar
O mundo girar
E voltar, um dia,
Exatamente para o mesmo lugar
Numa hora perfeita pra gente se encontrar.
Olhos que em uma multidão eu sou capaz de achar.
E que eu ainda evito
Quando não quero ouvir meu coração disparar.

Aqueles olhos,
Que conseguiram me ler
E embaralhar todas as palavras

Mesmo sem eu nunca ter escrito.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Foi minha culpa.
A felicidade estava bem nas minhas mãos,
E como se eu não a reconhecesse mais
A deixei partir.

Tão clichê.
Recomeçar a escrever quando a tristeza volta pra casa.
Você foi, ela chegou.
Talvez esse seja o porquê. A gente escreve quando falta alguma coisa no nosso mundo.
Coisa que a gente precisa inventar, ou materializar.
No meu caso, é um mundo que falta nas minhas coisas.
Desde que eu abri as portas pra você ir embora, elas ficaram escancaradas, sem sentido no contexto da minha vida.
Vida que virou só minha e que ficou metade
Sem o seu contexto.

Tudo continua aqui. Mas a alma do tudo disse adeus. A minha alma de tudo. Você.
Que foi, mas vai ficar pra sempre.
Que mudou tudo, mesmo sem me mudar.
Que eu vou pra sempre esperar me perdoar.
Enxergo em preto e branco.
Não faz sentido o azul do céu, se meus olhos não podem mais ser teus.
Não me acolhe a felicidade, já que sei que minhas mãos arrancaram a tua.
Não descansa meu coração, enquanto tento de longe afagar as feridas que eu mesma causei no teu.

Minhas mãos eu atei, mas não às suas.
O que eu tinha de mais valioso, estraçalhei.
Agora, espero o tempo remediar aquilo que eu mesma causei
A você, que sempre foi minha poesia,
E a mim também.

Eu errei ao lidar com o nosso amor,
E então, não tenho escolha, a não ser acatar minha dor.

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Eu vou esperar desesperadamente você voltar.



segunda-feira, 23 de maio de 2011

Um ano atrás eu estava nessa mesma poltrona.

Olhava pra você do mesmo ângulo.

O frio era igual.

A situação, a mesma.

O mesmo coração.

E tudo, diferente.

Eu te via com olhos de incerteza,

De espera,

De desejo,

De não saber quem era você

De não poder te decifrar

De desconhecer o que ia acontecer.

Meu riso era real,

E de uma angústia inexplicável

Sem saber se aquela seria a última noite de todas.

Sem saber como eu voltaria para casa.

Sem saber que o futuro nos esperava.


Hoje, sentei na mesma poltrona.

Tentei te olhar de um mesmo lugar.

Mas senti mais o mesmo frio.

O mesmo coração estava desfigurado.

Desconfigurado.

Tudo diferente.

Eu te vejo com olhos de tristeza,

Sim, de incerteza,

De que um ano se passou

De que por mim, você parou,

De desconhecer o que aconteceu.

Nesse tempo em que, talvez, eu tenha te decifrado mal.

O que vai acontecer é desconhecido,

Meu riso é irreal,

Minha angústia, inexplicável.

Sem saber como será a última noite de todas,

Sem saber mais qual é minha casa.

Sem saber que no futuro a decepção me esperava.

Eu ainda te amo.

Não sei se algum dia isso vai mudar.

É errado?

Deixar de lado orgulho, passado?

Isso eu não sei.

Só sei que eu escolho perdoar.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Sem fim.

Saudade

Que aperta o peito

Acelera o coração

E me dá o direito

Das lágrimas inúteis da minha solidão

.

Saudade

Do toque

Do beijo

Do tudo

De ser tudo

De ser toda

De ser tua

.

Saudade

É um vazio inteiro

Que o lento tic-tac

Faz do mês ligeiro

Quase que a eternidade.

.

Saudade

Faz o tempo parar

Enquanto eu fico a esperar

Ansiosa, de verdade,

Cheia de vontade,

A felicidade de ver você voltar.

.

Pra mim.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

No início
Eramos noites em claro

domingo, 8 de agosto de 2010

Vale mais que três palavras.

Será que é cedo pra dizer
Aquilo que mal consigo entender
Que meus olhos gritam,
Meu sorriso explana,
Mas minha boca engole,
E você insiste em não perceber.
Será que é bobo insistir
Em calar quando se ainda pode ouvir
Meu coração batendo e
Minha voz tremendo,
Enquanto continuo me contradizendo.
Quando adorar já não cabe mais
Pra descrever
O que dentro de mim há por você.
Quando já até sei o que dizer.
Mas ainda me falta coragem pra poder
Falar em voz alta
Sem pensar, num segundo
O que meu coração já contou pro mundo.






sexta-feira, 25 de junho de 2010

25/06/2010

O sorriso de criança meu coração impõe ao rosto.
Da janela do seu quarto podemos ver a lua.
Ela brilha por nós. Agora somos nós.
Eu e você. A vera. Sem volta. Sem medo.
Com os freios não mais usados
E olhos já não fechados.
Prontos pra viver
Pra sentir
Pra ser parte
Em vez de só fazer parte.
Eu me entrego
Corpo, alma e coração
Na tua mão
Pra ser quem te faz feliz
E ser aquela que diz
Sem hesitar
Que é tua.

Agora ainda mais
E que já era
Mesmo antes de ser.
Se entrega, meu bem
Se entrega também
Que é pra gente empatar,
Pra variar.
Impossível parar de sorrir
Deitada do teu lado
Depois da melhor surpresa
Que eu (não) podia esperar.
A lua ainda nos acompanha.
A noite é nossa. É nosso dia, agora.
Com a cabeça encostada no seu peito
Eu ouço as batidas do seu coração
Me pedindo pra com você ficar.
E dizendo pra eu não ter medo,
Que é nos teus braços o meu lugar.
E eu acreditei.
Sem pensar, me entreguei
Me joguei
Simplesmente me apaixonei.
Então eu rezo
Pra não serem só
As minhas pernas que tremem
Ao ver você chegar,
O meu coração a disparar,
Os meus olhos a me entregar
Toda pra você.
Pra você vir comigo
Se atirar de cabeça
Nesse meu sonho
Em minha vida
Nessa minha louca alegria.
E pra você perceber,
Ter certeza e entender
Que
é você tudo que eu queria.


quinta-feira, 17 de junho de 2010

Só talvez.

Talvez não valha a pena ser assim tão transparente.
Talvez não se deva falar em voz alta o que dita o coração.
Talvez não seja certo acreditar cegamente.
Seja imprudente se entregar loucamente.
Talvez seja tolice escrever sobre uma coisa só.
Talvez seja burrice ter coragem num mundo covarde.
Talvez, idiotice não temer quando quem importa morre de medo.
Talvez os bêbados nos bares tenham razão.
Talvez não se deva assumir o que se passa dentro da gente.
Talvez seja besteira publicar poemas em um blog.
Talvez a gente deva jogar, pra não se machucar.
Talvez seja certo se esconder, não viver,
Não sorrir pra não saber chorar.
Não se deixar levar.
Talvez seja verdade quando se diz
Que nunca se pode ser totalmente feliz.

Talvez eu seja burra demais,
Corajosa demais,
Boba demais,
Imprudente demais,
Ou transparente demais
Pra entender
Ou dar ouvidos a isso.

Talvez eu só esteja gostando demais.
Mas só talvez.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Não tente entender

Ele me quis com as dúvidas, confusões e o que mais viesse de brinde.
Pretendeu secar meu pranto, preencher o vazio cego que me habita.
Ele quis me desafogar do mar de amores no qual eu insistia em afundar.
Se pôs de pé, estendeu a mão e insistiu em me salvar.
Ele sorriu, pelo simples fato de eu estar ali, como quis que fosse.
Assumiu os riscos e se contentou, por saber que dele eu era aquela noite.
Ele estava sóbrio. Não queria perder um segundo. Me apertou contra o peito como se o tempo fosse parar e ali seria feliz.
Ele me deu o valor que eu podia jurar não ter.
Me beijou como se fosse esquecer da vida por mim.
Ele me fez chorar, por mostrar que eu merecia mais.
Ele me fez sorrir, sem razão.
Ele foi pra mim.
Ele foi tudo.
E não foi nada.
Porque ele não foi você.

sábado, 5 de junho de 2010

Ainda bem.

Eu não tomei cuidado.
Fui teimosa, não ouvi.
Dei as costas a conselhos, avisos
E alertas que todo o mundo insistiu em dar.
Me deixei levar.
Pelo seu sorriso, seu olhar.
Em uma noite que eu e você mal conseguimos lembrar.
Sem medo de me arrepender.
Sem pensar em voltar atrás.
Sem querer querendo.
Eu sendo eu e você, você.
E agora é assim.
Eu, sem conseguir entender.
E não querendo nem saber.
Porque tudo é mais legal quando é com você.
Sem precisar de razão
porque ou explicação.
Podem me chamar de boba.
Agora eu ando
Sorrindo pelos cantos.
Sendo boba.
Sendo outra.
Sendo feliz.
E é bom demais.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Meu dia, minha chuva.

Pela décima oitava vez, chove no dia do meu aniversário.
Pela primeira vez, isso não tem a menor importância.
Talvez, porque depois de tanto tempo eu tenha desistido de esperar pelo sol. Não. Na verdade é porque tudo está tão perfeito, tão certo, que a chuva não passa de um sinal, avisando que algo maravilhoso e inesperado está pra acontecer.
Chegar a mairoidade com o sentimento de ter trilhado, até ali, o caminho certo é coisa pra poucos. É meio pretensioso. Quem, tão cedo na vida, pode ter essa certeza? Eu tenho. Não é que eu tenha feito tudo certo, longe disso. Mas quando penso nas pessoas que hoje tenho ao meu lado, percebo que nada poderia ter sido diferente. Os amores, desamores, conflitos, desencontros, encontros e... "acasos".

Cada detalhe, cada raio de sol que brilhou sobre meus cabelos, cada pequeno passo que dei, fez a diferença.
Hoje é meu dia de agradecer. Esse é meu texto de agradecimento.
Obrigada, a todos que cruzaram meu caminho, que ajudaram a escrever minha história, a me escrever. Obrigada pelos sorrisos, pelas lágrimas. Obrigada por me darem de presente o brilho
que hoje carrego em meus olhos. Obrigada por serem os guias que me trouxeram, desse jeito, até aqui.
Obrigada, minha família, por sempre me dar mais amor do que o mundo pode comportar, do que se pode imaginar existir.
Obrigada, meus amigos, por muito já terem me cedido um ombro pra chorar e por sempre alegrarem minhas alegrias.
Obrigada, novos personagens no meu conto de fadas (novos, apenas, não menos importantes). Tenham certeza que é de vocês que vem uma enorme parte dessa minha energia de pular da cama e todo dia ser muito feliz.
Obrigada, maioridade, por me mostrar que é possível crescer sendo criança.
Obrigada, destino, por sempre me levar no lugar certo, na hora certa.
Obrigada, 2010, por estar sendo o ano mais surpreendente de todos.
Obrigada, vida, por ser tão maravilhosa.
Obrigada, chuva, por continuar caindo.

P.S.: Obrigada por fazer com que o dia de hoje também não precisasse ter sentido pra ser muito bom.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Agora e só.

Pra você reler quando quiser.
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Eu não sou menina pra casar.
Não quero saber de namorar.
Nem de atar suas mãos às minhas.
Não me interessa te fazer ser quem você nunca foi.
Não é culpa sua se você não precisa de sobriedade pra fazer sentido.
Não precisa ter sentido.
Eu queria mesmo era ser sua.
Não através de títulos.
Nem pelo que se convencionou chamar exclusividade.
Quero ser sua por saber que você pensa em mim.
Saber que eu te divirto.
Que eu te surpreendo.
Eu quero te ter. Hoje. Sem pensar em amanhã, em porquê, em nada.
Quero você aqui. Agora. Do jeito que é.
Quero brincar com você. Brincar de você, enquanto a gente não cresce da gente.
Quero te fazer feliz, só por um minuto.
Quero que seu beijo me tire do sério.
Que seu abraço me aperte nesse segundo. E o que vai ser do próximo? Que a gente descubra quando ele chegar.
Eu quero você só.
Eu quero só você.
Eu quero você.
Sem pretensões de mudar o porquê do seu sorrir.
Contanto que você continue sorrindo.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Sol meu (dela).

A noite é fria, ela sabe que ele não vem. O brilho das estrelas abandonou o céu.
A noite esfria, cada vez que ela toma um gole de sua cerveja. Ela não se importa. A festa, sem ele, não é festa. É, em vão. Ela dança, pra se distrair. Ela foge de um cara chato. Ela desiste de conter a sensação amarga e gelada que já se apropriou de sua boca, seu corpo, seu eu.
E nessas horas a vida sempre insiste em preparar uma surpresa pra gente.
Um outro chega, de repente. Chega sem pressa. Chega sorrindo, um sorriso irresistível, que ela não pôde deixar de notar. Impressionante. O frio vai embora, tudo vai embora. É ele, o Sol, que veio fazer esquecer o Vento. Ela não consegue sentir nada além de seu coração martelando no peito. E o sorriso dele continua lá. Lindo. Certo. Aquecendo aquela noite sem saída, aquela menina sem estrelas.
Surpresa número dois.
Ele a olha diferente também. Ele vê. Os dois mergulham na louca vontade de se terem aquela noite. De aquecer o frio
um do outro, curar o amargo de ambos com um beijo, o mais docemente possível. Querem muito, e estão quase lá. Brincam, riem, são quem são e, quando percebem estão próximos demais. Ela sente sua respiração em seu rosto e seus olhos ficam presos pela inexplicável magia que os dele emanam. Sua barba, perfeitamente mal feita. Seu cheiro completando um momento já certo. Ela o quer, naquela hora, mais que tudo. Sentir seu corpo num abraço, brincar em seus cabelos escuros, aprender a sorrir como ele, enquanto seus lábios se tocarem. Eles se querem, eles se terão.
E enquanto ela, hesitante, fecha os olhos, a terceira surpresa.
Em um consciente lapso que atrapalha aquela doce loucura, ela se dá conta. Ele é território proibido. Aquele que insiste em esfriar sua noite e sua vida é amigo dele. Logo dele. No mínimo, irônico. O Sol, amigo do Vento. Ela percebe. Seu sonho de uma noite de inverno-verão acaba ali. Ele também desperta para a realidade. Mesmo tão perto estão longe de poder ser. Seu brilho fraqueja, tanto quanto pode fraquejar o brilho do Sol. Eles compreendem. Vão se guardar, um na memória do outro. Guardar aquele momento, pelo menos por enquanto.
Três da manhã. Hora da Cinderela ir pra casa. Eles dizem adeus com um beijo, não exatamente onde precisavam que fosse. Ela se despede do Sol. E cai na noite, novamente gélida. Mas olha pro céu e as estrelas lhe sorriem, o sorriso morno que ele deixou. E no fundo ela sabe. Depois da tempestade, do frio, do Vento, do que for... O Sol um dia há de brilhar. Junto dela.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Sinceramente

Acaba com essa demora, que não sei eternamente brincar de bem e mal-me-quer.
Segura minha mão, me leva pra onde quiser e bagunça minha espera, meu penteado, minha vida.
Me toma em teus braços, que um segundo basta pra eu te querer a semana inteira.
Me pega no colo e diz que gosta de sentir minha pele, que uma palavra tua me faz ser a rainha que em tantos anos nunca me saudou no espelho.
Ri de mim, que eu me contento com a ilusão de pensar que te faço feliz.
Me abraça forte, que me faz bem fantasiar que meu corpo é moldado pra encaixar no teu.
Me beija, que eu gosto de me afogar nas tuas juras imaginárias de que por um instante você é todo meu.
Mas vá embora. Vá, antes que eu perceba que o cheiro do teu cabelo em minhas mãos está se esvaindo. Antes que eu me torne órfã do calor dos teus braços. Vá, antes que seja tarde demais pra voltarmos atrás. Antes que a batida do meu coração se confunda com a tua. Antes que dizer adeus doa um pouco demais pra mim.

Menina-mundo.

Uma menina.
Uma menina que consegue ver a vida com olhos de moleca e coração de mulher.
Uma menina que sente o mundo com o sorriso de uma criança e as lágrimas de quem já tem muito o que contar.
Uma menina apaixonada por si mesma e que consegue ter paixão de sobra pra espalhar por aí.
Uma menina que é muito feliz e mesmo assim consegue entender que nem só alegrias escrevem uma história.
Uma menina que se atira de cabeça em tudo, se machuca, aprende (de vez em quando), se levanta e se atira de novo, sem o menor discernimento e que ainda assim é muito sábia.
Uma menina completamente incompreensível e única e ainda assim igualzinha a todas as outras.
Uma menina ainda muito menina. E que há muito já cresceu.
Uma menina que sonha não só o futuro, mas o presente e ouso dizer o passado também.
Uma menina que não tem dificuldade em deixar pra trás, mas que sabe que traz consigo cada pessoa que algum dia cruzou seu caminho, como um pedacinho de quem se tornou.
Uma menina que as vezes se sente metade mas que é inteira o suficiente pra levantar a cabeça e se completar.
Uma menina que é pequenininha mas é gigante.
Uma menina que adora comer sozinha uma panela de brigadeiro e que também adora dividi-la com alguém especial.
Uma menina que tem medo e é muito corajosa.
Uma menina que odeia os homens, e os ama de novo, e odeia, e ama, odeia, mas não consegue viver sem eles.
Uma menina que é barra pesada e ainda sim é leve como o sopro do vento numa tarde de inverno.
Uma menina que não vive sem música mas sabe apreciar o seu próprio silêncio.
Uma menina que brinca de fantasiar a vida e ainda assim é muito de verdade.
Uma menina que vive do amor, mas que vive sem ele.
Uma menina que acaba de escrever seu maior clichê e mesmo assim sente que nunca foi tão bem descrita.
Uma menina.
Uma apenas.
Um dia você encontra ela por aí, brincando de ser menina e ser mulher...

terça-feira, 11 de maio de 2010

Conversa de ônibus...

Pra mim, namorar não tem nada a ver com amor. O namoro foi um título criado pelo homem para simbolizar ante a sociedade que as pessoas envolvidas não estão disponíveis. Pra mim, quem ama não precisa disso. Quem ama já está indisponível, não pelo fato de não poder beijar ou pensar em outra pessoa, mas pura e simplesmente porque seu coração já tem por quem bater. Cada minuto de seu pensamento já está tomado de sensações que o ser amado deixou. E até mesmo pequenos esboços de sorriso já têm seus direitos autorais registrados, todos por uma só criatura. Fica na cara. Quem ama não precisa de títulos para estampar na testa e mostrar (ou, se preciso, gritar) para o mundo que a vaga já foi preenchida. O amor é uma coisa tão grandiosa que o homem, ao tentar sintetizá-la, falha. E é tão simples que esse mesmo homem, ao tentar equacionar, complica. E muitas vezes destrói. Que me perdoem os namorados, mas a minha entrega, minha lealdade e meu amor jamais precisarão de rótulos pra serem legitimados.