A noite é fria, ela sabe que ele não vem. O brilho das estrelas abandonou o céu.
A noite esfria, cada vez que ela toma um gole de sua cerveja. Ela não se importa. A festa, sem ele, não é festa. É, em vão. Ela dança, pra se distrair. Ela foge de um cara chato. Ela desiste de conter a sensação amarga e gelada que já se apropriou de sua boca, seu corpo, seu eu.
E nessas horas a vida sempre insiste em preparar uma surpresa pra gente.
Um outro chega, de repente. Chega sem pressa. Chega sorrindo, um sorriso irresistível, que ela não pôde deixar de notar. Impressionante. O frio vai embora, tudo vai embora. É ele, o Sol, que veio fazer esquecer o Vento. Ela não consegue sentir nada além de seu coração martelando no peito. E o sorriso dele continua lá. Lindo. Certo. Aquecendo aquela noite sem saída, aquela menina sem estrelas.
Surpresa número dois.
Ele a olha diferente também. Ele vê. Os dois mergulham na louca vontade de se terem aquela noite. De aquecer o frio um do outro, curar o amargo de ambos com um beijo, o mais docemente possível. Querem muito, e estão quase lá. Brincam, riem, são quem são e, quando percebem estão próximos demais. Ela sente sua respiração em seu rosto e seus olhos ficam presos pela inexplicável magia que os dele emanam. Sua barba, perfeitamente mal feita. Seu cheiro completando um momento já certo. Ela o quer, naquela hora, mais que tudo. Sentir seu corpo num abraço, brincar em seus cabelos escuros, aprender a sorrir como ele, enquanto seus lábios se tocarem. Eles se querem, eles se terão.
E enquanto ela, hesitante, fecha os olhos, a terceira surpresa.
Em um consciente lapso que atrapalha aquela doce loucura, ela se dá conta. Ele é território proibido. Aquele que insiste em esfriar sua noite e sua vida é amigo dele. Logo dele. No mínimo, irônico. O Sol, amigo do Vento. Ela percebe. Seu sonho de uma noite de inverno-verão acaba ali. Ele também desperta para a realidade. Mesmo tão perto estão longe de poder ser. Seu brilho fraqueja, tanto quanto pode fraquejar o brilho do Sol. Eles compreendem. Vão se guardar, um na memória do outro. Guardar aquele momento, pelo menos por enquanto.
Três da manhã. Hora da Cinderela ir pra casa. Eles dizem adeus com um beijo, não exatamente onde precisavam que fosse. Ela se despede do Sol. E cai na noite, novamente gélida. Mas olha pro céu e as estrelas lhe sorriem, o sorriso morno que ele deixou. E no fundo ela sabe. Depois da tempestade, do frio, do Vento, do que for... O Sol um dia há de brilhar. Junto dela.
raianeeeeeeeee parei contigo! ta demaissssss!!!
ResponderExcluirAdoreei! Te vi direitinho em cada cena.. (obs: matei a charada faaacil faaacil, hahahha)
ResponderExcluirAdoreei! Te vi direitinho em cada cena.. (obs: matei a charada faaacil faaacil, hahahha)
ResponderExcluirsua Titia e muito cafona, por isso vou dizer : vc e meu Sol!
ResponderExcluiradoreeiii rai !! tambem matei a charada heeinn hahahahahaha
ResponderExcluirto orgulhosa do quanto você se expressa bem amiga. Amei esse texto. Tá lindo. Amo você, continue sempre sensível e linda.
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