segunda-feira, 10 de maio de 2010

Um parágrafo para cada mês.

Debaixo do chuveiro, enquanto a água quente molha meu corpo ainda frio, surgem lembranças da quais tenho medo. Medo de trazer a tona. Acho que necessárias, pois não as consegui frear.
Lembro de uma noite, no nosso lugar, na qual me deixei levar pelo coração. Que apesar de eu estar tão incerta e trêmula me senti inteira quando você, tão nervoso quanto eu, me tomou nos braços e, por um breve momento, me fez ser sua.
Lembro de sair correndo para olhar o celular, pois sabia, no fundo, que mensagens iam ser nossa marca, ou pelo menos a que você deixaria em mim.
Lembro de um dia que tive medo e te disse que não ia sentir e lembro de como seus olhos brilharam no seu rosto suado ao responder: mas eu já sinto.
Lembro de uma madrugada em uma varanda amiga em que você disse que me queria só sua e eu demorei pra acreditar. Lembro de um tempo no qual você dizia com verdade e inocência de criança que eu não tinha defeitos. Lembro de sentir seu calor. Lembro de saber que você era por mim, ou pelo menos afirmava ser.
Lembro de ser sua pela primeira vez. Lembro de prometermos ser eu e você pra sempre. Lembro do seu ciúme. Lembro do cheiro do seu carro. Do toque da sua campainha, sempre acompanhado de um latido. Do ranger da sua cama quando nos deitávamos. Lembro do que era importante pra você e se tornou pra mim.
Lembro das brigas. Das reconciliações. Dos “eu te amo” e dos “eu te odeio”. Extremos, como sempre fomos. Lembro de ser feliz. Lembro de ser mais feliz ainda.
Lembro da perda do ar de quando você foi embora pela primeira vez. Lembro da dor. Lembro da alegria não caber em mim quando você voltou.
Lembro do tempo em que conseguia sentir. Lembro do tempo em que conseguia acreditar. Enquanto a água escorre pelo ralo, o pavor que eu sentia de lembrar acaba. Junto com o eu e você. Que, convenhamos, nunca existiu. Estava mais para um eu pra você ou um eu por você. Me enganando por você.
Estou dormente. Nada sinto. Nem entendo como um dia pude sentir. Apenas lembro. Lembranças de um amor que não foi. Nunca foi. Nem era pra ser.

2 comentários:

  1. que "seus clichês" sejam sempre assim. primeira a comentar, e virei sempre aqui, e já te disse: fiquei arrepiada.... você tem talento e tava demorando pra mostrar pro mundo

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  2. Que isso Rai, foi vc que escreveu?...
    Ficou lindo, parabens... adorei...
    Bjus e saudades, tick

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