quarta-feira, 26 de maio de 2010

Agora e só.

Pra você reler quando quiser.
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Eu não sou menina pra casar.
Não quero saber de namorar.
Nem de atar suas mãos às minhas.
Não me interessa te fazer ser quem você nunca foi.
Não é culpa sua se você não precisa de sobriedade pra fazer sentido.
Não precisa ter sentido.
Eu queria mesmo era ser sua.
Não através de títulos.
Nem pelo que se convencionou chamar exclusividade.
Quero ser sua por saber que você pensa em mim.
Saber que eu te divirto.
Que eu te surpreendo.
Eu quero te ter. Hoje. Sem pensar em amanhã, em porquê, em nada.
Quero você aqui. Agora. Do jeito que é.
Quero brincar com você. Brincar de você, enquanto a gente não cresce da gente.
Quero te fazer feliz, só por um minuto.
Quero que seu beijo me tire do sério.
Que seu abraço me aperte nesse segundo. E o que vai ser do próximo? Que a gente descubra quando ele chegar.
Eu quero você só.
Eu quero só você.
Eu quero você.
Sem pretensões de mudar o porquê do seu sorrir.
Contanto que você continue sorrindo.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Sol meu (dela).

A noite é fria, ela sabe que ele não vem. O brilho das estrelas abandonou o céu.
A noite esfria, cada vez que ela toma um gole de sua cerveja. Ela não se importa. A festa, sem ele, não é festa. É, em vão. Ela dança, pra se distrair. Ela foge de um cara chato. Ela desiste de conter a sensação amarga e gelada que já se apropriou de sua boca, seu corpo, seu eu.
E nessas horas a vida sempre insiste em preparar uma surpresa pra gente.
Um outro chega, de repente. Chega sem pressa. Chega sorrindo, um sorriso irresistível, que ela não pôde deixar de notar. Impressionante. O frio vai embora, tudo vai embora. É ele, o Sol, que veio fazer esquecer o Vento. Ela não consegue sentir nada além de seu coração martelando no peito. E o sorriso dele continua lá. Lindo. Certo. Aquecendo aquela noite sem saída, aquela menina sem estrelas.
Surpresa número dois.
Ele a olha diferente também. Ele vê. Os dois mergulham na louca vontade de se terem aquela noite. De aquecer o frio
um do outro, curar o amargo de ambos com um beijo, o mais docemente possível. Querem muito, e estão quase lá. Brincam, riem, são quem são e, quando percebem estão próximos demais. Ela sente sua respiração em seu rosto e seus olhos ficam presos pela inexplicável magia que os dele emanam. Sua barba, perfeitamente mal feita. Seu cheiro completando um momento já certo. Ela o quer, naquela hora, mais que tudo. Sentir seu corpo num abraço, brincar em seus cabelos escuros, aprender a sorrir como ele, enquanto seus lábios se tocarem. Eles se querem, eles se terão.
E enquanto ela, hesitante, fecha os olhos, a terceira surpresa.
Em um consciente lapso que atrapalha aquela doce loucura, ela se dá conta. Ele é território proibido. Aquele que insiste em esfriar sua noite e sua vida é amigo dele. Logo dele. No mínimo, irônico. O Sol, amigo do Vento. Ela percebe. Seu sonho de uma noite de inverno-verão acaba ali. Ele também desperta para a realidade. Mesmo tão perto estão longe de poder ser. Seu brilho fraqueja, tanto quanto pode fraquejar o brilho do Sol. Eles compreendem. Vão se guardar, um na memória do outro. Guardar aquele momento, pelo menos por enquanto.
Três da manhã. Hora da Cinderela ir pra casa. Eles dizem adeus com um beijo, não exatamente onde precisavam que fosse. Ela se despede do Sol. E cai na noite, novamente gélida. Mas olha pro céu e as estrelas lhe sorriem, o sorriso morno que ele deixou. E no fundo ela sabe. Depois da tempestade, do frio, do Vento, do que for... O Sol um dia há de brilhar. Junto dela.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Sinceramente

Acaba com essa demora, que não sei eternamente brincar de bem e mal-me-quer.
Segura minha mão, me leva pra onde quiser e bagunça minha espera, meu penteado, minha vida.
Me toma em teus braços, que um segundo basta pra eu te querer a semana inteira.
Me pega no colo e diz que gosta de sentir minha pele, que uma palavra tua me faz ser a rainha que em tantos anos nunca me saudou no espelho.
Ri de mim, que eu me contento com a ilusão de pensar que te faço feliz.
Me abraça forte, que me faz bem fantasiar que meu corpo é moldado pra encaixar no teu.
Me beija, que eu gosto de me afogar nas tuas juras imaginárias de que por um instante você é todo meu.
Mas vá embora. Vá, antes que eu perceba que o cheiro do teu cabelo em minhas mãos está se esvaindo. Antes que eu me torne órfã do calor dos teus braços. Vá, antes que seja tarde demais pra voltarmos atrás. Antes que a batida do meu coração se confunda com a tua. Antes que dizer adeus doa um pouco demais pra mim.

Menina-mundo.

Uma menina.
Uma menina que consegue ver a vida com olhos de moleca e coração de mulher.
Uma menina que sente o mundo com o sorriso de uma criança e as lágrimas de quem já tem muito o que contar.
Uma menina apaixonada por si mesma e que consegue ter paixão de sobra pra espalhar por aí.
Uma menina que é muito feliz e mesmo assim consegue entender que nem só alegrias escrevem uma história.
Uma menina que se atira de cabeça em tudo, se machuca, aprende (de vez em quando), se levanta e se atira de novo, sem o menor discernimento e que ainda assim é muito sábia.
Uma menina completamente incompreensível e única e ainda assim igualzinha a todas as outras.
Uma menina ainda muito menina. E que há muito já cresceu.
Uma menina que sonha não só o futuro, mas o presente e ouso dizer o passado também.
Uma menina que não tem dificuldade em deixar pra trás, mas que sabe que traz consigo cada pessoa que algum dia cruzou seu caminho, como um pedacinho de quem se tornou.
Uma menina que as vezes se sente metade mas que é inteira o suficiente pra levantar a cabeça e se completar.
Uma menina que é pequenininha mas é gigante.
Uma menina que adora comer sozinha uma panela de brigadeiro e que também adora dividi-la com alguém especial.
Uma menina que tem medo e é muito corajosa.
Uma menina que odeia os homens, e os ama de novo, e odeia, e ama, odeia, mas não consegue viver sem eles.
Uma menina que é barra pesada e ainda sim é leve como o sopro do vento numa tarde de inverno.
Uma menina que não vive sem música mas sabe apreciar o seu próprio silêncio.
Uma menina que brinca de fantasiar a vida e ainda assim é muito de verdade.
Uma menina que vive do amor, mas que vive sem ele.
Uma menina que acaba de escrever seu maior clichê e mesmo assim sente que nunca foi tão bem descrita.
Uma menina.
Uma apenas.
Um dia você encontra ela por aí, brincando de ser menina e ser mulher...

terça-feira, 11 de maio de 2010

Conversa de ônibus...

Pra mim, namorar não tem nada a ver com amor. O namoro foi um título criado pelo homem para simbolizar ante a sociedade que as pessoas envolvidas não estão disponíveis. Pra mim, quem ama não precisa disso. Quem ama já está indisponível, não pelo fato de não poder beijar ou pensar em outra pessoa, mas pura e simplesmente porque seu coração já tem por quem bater. Cada minuto de seu pensamento já está tomado de sensações que o ser amado deixou. E até mesmo pequenos esboços de sorriso já têm seus direitos autorais registrados, todos por uma só criatura. Fica na cara. Quem ama não precisa de títulos para estampar na testa e mostrar (ou, se preciso, gritar) para o mundo que a vaga já foi preenchida. O amor é uma coisa tão grandiosa que o homem, ao tentar sintetizá-la, falha. E é tão simples que esse mesmo homem, ao tentar equacionar, complica. E muitas vezes destrói. Que me perdoem os namorados, mas a minha entrega, minha lealdade e meu amor jamais precisarão de rótulos pra serem legitimados.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Milagre de dia das mães.

Deitada na cama do hospital, em pleno domingo das mães, sentindo minhas (poucas) energias me abandonarem.
Chega um médico.
Ele me olha. Olha. Não vê.
Pergunta suas automáticas perguntas.
Tem pressa de atender outros tantos pacientes.
Chega uma enfermeira.
A medicação corre pelas minhas veias.
Continuo mal.
Torcendo pro tempo passar mais rápido.
Chega um enfermeiro.
Sua pele negra faz contraste com seu alvo jaleco.
Ele nada faz.
Apenas me sorri, sincero.
Meu mal-estar começa a passar.
Talvez a medicação tenha começado a fazer efeito.
Talvez um sutil milagre tenha acontecido.


São pequenos anjos que passam por nossas vidas.

Um parágrafo para cada mês.

Debaixo do chuveiro, enquanto a água quente molha meu corpo ainda frio, surgem lembranças da quais tenho medo. Medo de trazer a tona. Acho que necessárias, pois não as consegui frear.
Lembro de uma noite, no nosso lugar, na qual me deixei levar pelo coração. Que apesar de eu estar tão incerta e trêmula me senti inteira quando você, tão nervoso quanto eu, me tomou nos braços e, por um breve momento, me fez ser sua.
Lembro de sair correndo para olhar o celular, pois sabia, no fundo, que mensagens iam ser nossa marca, ou pelo menos a que você deixaria em mim.
Lembro de um dia que tive medo e te disse que não ia sentir e lembro de como seus olhos brilharam no seu rosto suado ao responder: mas eu já sinto.
Lembro de uma madrugada em uma varanda amiga em que você disse que me queria só sua e eu demorei pra acreditar. Lembro de um tempo no qual você dizia com verdade e inocência de criança que eu não tinha defeitos. Lembro de sentir seu calor. Lembro de saber que você era por mim, ou pelo menos afirmava ser.
Lembro de ser sua pela primeira vez. Lembro de prometermos ser eu e você pra sempre. Lembro do seu ciúme. Lembro do cheiro do seu carro. Do toque da sua campainha, sempre acompanhado de um latido. Do ranger da sua cama quando nos deitávamos. Lembro do que era importante pra você e se tornou pra mim.
Lembro das brigas. Das reconciliações. Dos “eu te amo” e dos “eu te odeio”. Extremos, como sempre fomos. Lembro de ser feliz. Lembro de ser mais feliz ainda.
Lembro da perda do ar de quando você foi embora pela primeira vez. Lembro da dor. Lembro da alegria não caber em mim quando você voltou.
Lembro do tempo em que conseguia sentir. Lembro do tempo em que conseguia acreditar. Enquanto a água escorre pelo ralo, o pavor que eu sentia de lembrar acaba. Junto com o eu e você. Que, convenhamos, nunca existiu. Estava mais para um eu pra você ou um eu por você. Me enganando por você.
Estou dormente. Nada sinto. Nem entendo como um dia pude sentir. Apenas lembro. Lembranças de um amor que não foi. Nunca foi. Nem era pra ser.

O músico - pra inaugurar sem melancolia.

Ele olha pra mim

Toca meu ombro

E diz olá.

Ele senta no chão

Toca seu violão

E começa a cantar.

Ele então me sorri

Toca a minha tristeza

E me faz suspirar.

Ele é leve assim

Toca a vida em seus dedos

E diz laiá laiá.

Ele fazendo assim

Toca o meu coração

E posso, enfim, acreditar.

Toca em mim?