segunda-feira, 2 de abril de 2012

Restou de um

Meus olhos são dois, mas três lágrimas escorrem pelo meu rosto. 
Não dá pra sentir se meu coração ainda bate.
Acredito que sim, porque dói.

O silêncio perfura os meus tímpanos e é pior que seus gritos, 
Que antes fossem de raiva. 
O seu acato ao meu "some da minha vida" é tão absoluto, 
Que se sente como a um soco no estômago.
O seu total controle quanto à vontade de ligar, 
a fazer o que sabe que vai magoar, 
a não se importar se você vai me estilhaçar, 
fazem parecer que se eu caísse da janela do nono andar
Você nem iria notar.
Seu desprezo ecoa como uma risada cruel,
como se seus planos fossem pura falta de dó. 
Mesmo que eu esteja indo pra longe e você, pra Floripa só. 

Você me disse um dia que não era aquele que ia sofrer pro mundo.
Que não ia se desesperar se perdesse qualquer mulher, nem por um segundo. 
Eu também não. 
Eu choro pela perda de mim mesma. 
Daquela mulher que eu te entreguei e você largou no chão. 
Das minhas poesias repetitivas, mas tão felizes. 
Da minha vontade de ficar e criar raízes. 
Da sensação de que dá pra completar um vazio que é de outra pessoa 
E de que um babaca, por amor, pode ser uma pessoa boa. 
Choro pelo desespero de não saber 
O que a sua enorme generosidade deixou restar de mim. 
Fim.

Des-amada, desarmada, despedaçada.
Desacreditada.
Do ontem, de hoje e, principalmente,
Do pra sempre.

Um comentário:

  1. Amei essa parte:
    "Você me disse um dia que não era aquele que ia sofrer pro mundo.

    Que não ia se desesperar se perdesse qualquer mulher, nem por um segundo.

    Eu também não.

    Eu choro pela perda de mim mesma.

    Daquela mulher que eu te entreguei e você largou no chão. "

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