terça-feira, 22 de novembro de 2011

Perto Distante

Eu nunca escrevi sobre ele.

Talvez, para não torná-lo real,
Já que nunca o pude ter em minhas mãos
Por inteiro, de verdade.
Já que nunca tive a chance de me perder em seus braços
De vê-lo, de olhos fechados
De agarrá-lo pela nuca e tirar seu ar, em qualquer lugar
De me entregar a ele de corpo, e talvez alma
De mostrar pro mundo o sorriso que ele me deu de presente.

Mas seus olhos...
Esses sim foram meus.
Pelo instante em que os surpreendi procurando dentro de mim
Por algo que nem sei o que é, mas que ele encontrou.
Como se toda minha vida tivesse sido ausência
Como se estivesse despida pelos seus encantos
Desarmada, pelo seu perfume.
Por aqueles olhos verdes, tão ingênuos
E que sabiam exatamente o que estavam fazendo.
Que tiraram meu rumo
E me colocaram no caminho certo.
Que enxergaram a mulher, dentro da amiga.
Que me fazem esperar
O mundo girar
E voltar, um dia,
Exatamente para o mesmo lugar
Numa hora perfeita pra gente se encontrar.
Olhos que em uma multidão eu sou capaz de achar.
E que eu ainda evito
Quando não quero ouvir meu coração disparar.

Aqueles olhos,
Que conseguiram me ler
E embaralhar todas as palavras

Mesmo sem eu nunca ter escrito.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Foi minha culpa.
A felicidade estava bem nas minhas mãos,
E como se eu não a reconhecesse mais
A deixei partir.

Tão clichê.
Recomeçar a escrever quando a tristeza volta pra casa.
Você foi, ela chegou.
Talvez esse seja o porquê. A gente escreve quando falta alguma coisa no nosso mundo.
Coisa que a gente precisa inventar, ou materializar.
No meu caso, é um mundo que falta nas minhas coisas.
Desde que eu abri as portas pra você ir embora, elas ficaram escancaradas, sem sentido no contexto da minha vida.
Vida que virou só minha e que ficou metade
Sem o seu contexto.

Tudo continua aqui. Mas a alma do tudo disse adeus. A minha alma de tudo. Você.
Que foi, mas vai ficar pra sempre.
Que mudou tudo, mesmo sem me mudar.
Que eu vou pra sempre esperar me perdoar.
Enxergo em preto e branco.
Não faz sentido o azul do céu, se meus olhos não podem mais ser teus.
Não me acolhe a felicidade, já que sei que minhas mãos arrancaram a tua.
Não descansa meu coração, enquanto tento de longe afagar as feridas que eu mesma causei no teu.

Minhas mãos eu atei, mas não às suas.
O que eu tinha de mais valioso, estraçalhei.
Agora, espero o tempo remediar aquilo que eu mesma causei
A você, que sempre foi minha poesia,
E a mim também.

Eu errei ao lidar com o nosso amor,
E então, não tenho escolha, a não ser acatar minha dor.

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Eu vou esperar desesperadamente você voltar.



segunda-feira, 23 de maio de 2011

Um ano atrás eu estava nessa mesma poltrona.

Olhava pra você do mesmo ângulo.

O frio era igual.

A situação, a mesma.

O mesmo coração.

E tudo, diferente.

Eu te via com olhos de incerteza,

De espera,

De desejo,

De não saber quem era você

De não poder te decifrar

De desconhecer o que ia acontecer.

Meu riso era real,

E de uma angústia inexplicável

Sem saber se aquela seria a última noite de todas.

Sem saber como eu voltaria para casa.

Sem saber que o futuro nos esperava.


Hoje, sentei na mesma poltrona.

Tentei te olhar de um mesmo lugar.

Mas senti mais o mesmo frio.

O mesmo coração estava desfigurado.

Desconfigurado.

Tudo diferente.

Eu te vejo com olhos de tristeza,

Sim, de incerteza,

De que um ano se passou

De que por mim, você parou,

De desconhecer o que aconteceu.

Nesse tempo em que, talvez, eu tenha te decifrado mal.

O que vai acontecer é desconhecido,

Meu riso é irreal,

Minha angústia, inexplicável.

Sem saber como será a última noite de todas,

Sem saber mais qual é minha casa.

Sem saber que no futuro a decepção me esperava.

Eu ainda te amo.

Não sei se algum dia isso vai mudar.

É errado?

Deixar de lado orgulho, passado?

Isso eu não sei.

Só sei que eu escolho perdoar.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Sem fim.

Saudade

Que aperta o peito

Acelera o coração

E me dá o direito

Das lágrimas inúteis da minha solidão

.

Saudade

Do toque

Do beijo

Do tudo

De ser tudo

De ser toda

De ser tua

.

Saudade

É um vazio inteiro

Que o lento tic-tac

Faz do mês ligeiro

Quase que a eternidade.

.

Saudade

Faz o tempo parar

Enquanto eu fico a esperar

Ansiosa, de verdade,

Cheia de vontade,

A felicidade de ver você voltar.

.

Pra mim.