Eu nunca escrevi sobre ele.
Talvez, para não torná-lo real,
Já que nunca o pude ter em minhas mãos
Por inteiro, de verdade.
Já que nunca tive a chance de me perder em seus braços
De vê-lo, de olhos fechados
De agarrá-lo pela nuca e tirar seu ar, em qualquer lugar
De me entregar a ele de corpo, e talvez alma
De mostrar pro mundo o sorriso que ele me deu de presente.
Mas seus olhos...
Esses sim foram meus.
Pelo instante em que os surpreendi procurando dentro de mim
Por algo que nem sei o que é, mas que ele encontrou.
Como se toda minha vida tivesse sido ausência
Como se estivesse despida pelos seus encantos
Desarmada, pelo seu perfume.
Por aqueles olhos verdes, tão ingênuos
E que sabiam exatamente o que estavam fazendo.
Que tiraram meu rumo
E me colocaram no caminho certo.
Que enxergaram a mulher, dentro da amiga.
Que me fazem esperar
O mundo girar
E voltar, um dia,
Exatamente para o mesmo lugar
Numa hora perfeita pra gente se encontrar.
Olhos que em uma multidão eu sou capaz de achar.
E que eu ainda evito
Quando não quero ouvir meu coração disparar.
Aqueles olhos,
Que conseguiram me ler
E embaralhar todas as palavras
Mesmo sem eu nunca ter escrito.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Perto Distante
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Um ano atrás eu estava nessa mesma poltrona.
Olhava pra você do mesmo ângulo.
O frio era igual.
A situação, a mesma.
O mesmo coração.
E tudo, diferente.
Eu te via com olhos de incerteza,
De espera,
De desejo,
De não saber quem era você
De não poder te decifrar
De desconhecer o que ia acontecer.
Meu riso era real,
E de uma angústia inexplicável
Sem saber se aquela seria a última noite de todas.
Sem saber como eu voltaria para casa.
Sem saber que o futuro nos esperava.
Hoje, sentei na mesma poltrona.
Tentei te olhar de um mesmo lugar.
Mas senti mais o mesmo frio.
O mesmo coração estava desfigurado.
Desconfigurado.
Tudo diferente.
Eu te vejo com olhos de tristeza,
Sim, de incerteza,
De que um ano se passou
De que por mim, você parou,
De desconhecer o que aconteceu.
Nesse tempo em que, talvez, eu tenha te decifrado mal.
O que vai acontecer é desconhecido,
Meu riso é irreal,
Minha angústia, inexplicável.
Sem saber como será a última noite de todas,
Sem saber mais qual é minha casa.
Sem saber que no futuro a decepção me esperava.
Eu ainda te amo.
Não sei se algum dia isso vai mudar.
É errado?
Deixar de lado orgulho, passado?
Isso eu não sei.
Só sei que eu escolho perdoar.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Sem fim.
Saudade
Que aperta o peito
Acelera o coração
E me dá o direito
Das lágrimas inúteis da minha solidão
.
Saudade
Do toque
Do beijo
Do tudo
De ser tudo
De ser toda
De ser tua
.
Saudade
É um vazio inteiro
Que o lento tic-tac
Faz do mês ligeiro
Quase que a eternidade.
.
Saudade
Faz o tempo parar
Enquanto eu fico a esperar
Ansiosa, de verdade,
Cheia de vontade,
A felicidade de ver você voltar.
.
Pra mim.